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Cattleya schilleriana Água SurdaTodos os anos na Exposição de Orquídeas do Núcleo Orquidófilo de Domingos Martins e Marechal Floriano, há uma seção dedicada somente para expor as Cattleyas schillerianas que muito ajudam a embelezar a exposição e o mundo das orquídeas. Para quem pensa que todas são iguais, ledo engano, pois, existem vários tipos de Cattleyas schillerianas.

            Para começar a entendera história das schillerianas, voltarei no passado até chegar os dias de hoje. Essa Cattleya foi descoberta , ou seja, teve sua primeira floração documentada na cidade de Hamburgo na Alemanha (Europa), onde o clima não tem nada de tropical como no Brasil. O sortudo responsável por essa descoberta foi o Consul Schiller, que foi homenageado ao ter o seu nome posto na Cattleya schilleriana.

            A Cattleya schilleriana é uma orquídea endêmica do estado do Espírito Santo, restrita basicamente na Bacia do Rio Jucu, a uma altitude que varia dos 200 m aos 800 m. A temperatura diurna do habitat é em torno dos 28°C, já a noturna varia entre 8°C e 10°C. A luminosidade é elevada, outro fator também importante é a aeração e a umidade relativa do ar. Para cultivar bem a Cattleya schilleriana, devemos observar as condições do seu habitat, já que é uma planta bifoliada, com bulbos que não possuem muitas reservas alimentares e que uma vez "enrugados", não voltarão jamais à condição anterior, isto é, cheios de alimentos.

Cattleya schilleriana "Chapéu I"

            Especialistas do ramo da orquidofilia, entre eles o Sr. Wladyslaw Zaslawski, indicam que esse tipo de Cattleya seja plantada sobre pedaços de camará ou sobre cascas de peroba, pois, de acordo com eles essa condição de plantio oferece um maior arejamento das raízes da schilleriana. Para regar as schillerianas, indica-se regá-las (de acordo com a necessidade de cada planta) ao por-do-sol, tentando mantê-las sempre em lugares úmidos e bem arejados. Muitas pessoas penduram ou “amarram” as Cattleyas schillerianas em troncos de árvores que oferecem uma sombra e ao mesmo tempo intercepta a luz solar. Para aqueles que possuem orquidários cobertos por sombrite ou ripas, também podem pendurar suas schillerianas, mas, atenção para o índice de luminosidade que não é indicado ser acima dos 60%. A adubação deve ser semanal (0,5 gr/l - meia grama de adubo por litro de água) com um bom adubo foliar, sempre ao por do sol, molhando a planta toda. A planta só deverá ser adubada depois de enraizada. Atenção também para a desinfecção contra fungos a cada 30 ou 45 dias também é necessário, devendo ser utilizado, por exemplo, o Orthocid na dosagem de 1,5 gr/l - uma grama e meia de Orthocid para cada litro de água.

            Essa planta tem flores brilhantes, carnudas, salpicadas de castanho-púrpura e com o labelo largo cheio de pequenas veias formando várias estrias. Tem pseudobulbos matizados de vermelho, com folhas espessas e coriáceas, muito resistentes ao sol. Geralmente florescem duas vezes por ano, surgindo duas ou mais flores de 10 cts. de diâmetro. Esta planta, já extinta em seu estado nativo é muito procurada por colecionadores, possuindo um grande valor sentimental e comercial para os orquidófilos. É uma orquídea de clima quente e úmido alternado com período seco e quente, com estações bem definidas, como a região de faixa baixa litorânea onde a temperatura oscila entre 10°C a 40°C. Uma de suas florações, geralmente, é em setembro.

            Depois de tantos estudos realizados não só no Brasil, mas, em outros países,descobriram novas maneiras de se cultivar schillerianas, por exemplo, em nó-de-pinho pela fácil drenagem que ele oferece .

Cattleya schilleriana Cheque-Mate  Um episódio ocorrido há anos atrás envolvendo o Sr. Roberto Anselmo Kautsky e uma Cattleya schilleriana movimentou o mundo da orquidofilia, pois, através de uma carta o Sr. Kautsky noticiou que a Cattleya schilleriana ocorre em capoeirões meio sombreados e pouco úmidos existentes as margens dos rios e cachoeiras sobre lajes de pedras, numa altitude em torno de 300 à 500m. Mas, toda regra tem excessões, já que achei-a também sobre laje de pedra. A C. schilleriana exige muita luminosidade, em minha chácara, ela nasce sobre palmeiras em pleno sol" e em 1969 ele descobriu, que a Cattleya schilleriana que nascera em seu jardim, era um caso único de mutação genética que dotou a planta de uma beleza espetacular. No lugar das pétalas da flor, que normalmente são estreitas e de um colorido amarronzado, surgiram labelos(estrutura unitárias, grandes e vistosas da flor) rosas com listas carmim. A planta não estava se desenvolvendo bem e preocupado o orquidofilo radicado em Domingos Martins - ES mandou-a para a Alemanha, em 1970, para que pudesse ser reproduzida através de técnicas modernas, que garantiriam que seus descendentes tivessem as mesmas características. Foi envasada, no Orquidário de Gehard Bomba, em isopor picado, chegou a enraizar mas começou a regredir. Preocupado, Bomba enviou ao Orquidário Vacherot e Lacoufle, em Paris, maior centro mundial de reproduções de orquídeas da época. Infelizmente, depois de tentativas feitas pelos laboratórios, foi anunciada a morte da schilleriana descoberta pelo Sr. Kautsky.

            Com o passar dos anos e depois de descobertas como essa acima, livros especializados em orquídeas começaram a relatar que no Estado da Bahia haviam schillerianas, que chamam a atenção pelo adocicado perfume de baunilha. Essas plantas, hoje podem ser encontradas principalmente em orquidários, que com a ajuda da tecnologia, estão desenvolvendo-as em laboratórios para que com uma quantidade maior de mudas, ela possa se disseminar mais rápido.

          

Cattleya schilleriana "Do cipó"  Em boletim escrito pelo orquidófilo Sr. Érico de Freitas Machado, sobre os híbridos das schillerianas nativos no Estado do Espírito Santo, foi informado o seguinte: "O Estado do Espírito Santo com sua surpreendente riqueza orquidófila nativa, que beira a cerca de 700 espécies, tem produzido também muita mistura ou hibridização dessas espécies, em especial a Cattleya schilleriana. Tendo alguns híbridos naturais, como: a) Cattleya schilleriana x Cattleya Whitei - Talvez o mais bonito dos híbridos naturais espiritosantese. A influência da schilleriana é muito forte nos segmentos florais e na textura (grossas) e a warneri tem grande força de transmissão da cor. Geralmente flores grandes; b) Cattleya schilleriana x Cattleya velutina ( C. frankeana) - É uma hibridação muito rara de acontecer, devido o desencontro das florações das plantas originais. Geralmente a planta-mãe é a velutina (é mais fácil a floração da schilleriana na época da velutina do que o contrário). Forma um labelo sempre em leque; c) Cattleya harrizoneana x Cattleya schilleriana ( C. lucieniana e C. pittiae) - Um dos híbridos de maior frequência e de grande variações. O labelo sempre riscado e o colorido por ir de um lilás claro até quase o vermelho. As plantas geralmente têm um colorido mais puxado para o vermelho arroxeado, imitando a schilleriana (Obs.: Muitas vezes a harrizoneana também tem coloridos avermelhados e os menos experientes podem confundir com schilleriana, principalmente quando não estão em flor); d) Cattleya schofieldiana x Cattleya schilleriana ( C. resplendens) - É uma flor mais curiosa que bonita. Sempre muito pintalgada e labelo em leque (as vezes istmo). Também um híbrido muito difícil de acontecer, pela diferença de floração (praticamente o mesmo caso das velutinas)".

            Mesmo tendo uma importância grande para todo o ecossistema, infelizmente a Cattleya schilleriana é mais uma espécie de orquídea ameaçada de extinção, principalmente devido à ação humana e a destruição de 90% da mata atl6antica do Estado do Espírito Santo. Como última dica, aconselho à todos a visitarem a exposição do Núcleo Orquidófilo de Domingos Martins e Marechal Floriano e se deslumbrar com as diferentes schillerianas expostas todos os anos no mês de outubro na mesma.